Crônica para um passado atual

Música pra ouvir ao ler esse post: Here Come The Change – Kesha.


Acreditavam que seria para sempre. Era como se o beijo nunca tivesse sido dado, e todos os abraços fossem “virgens” e pueris. Talvez esse tenha sido o erro. Começaram dizendo “Será para sempre”.

Mas quando escorregaram no piso das lágrimas pensamentos surgiram e reflexões foram feitas “essa frase nunca deveria ter sido dita”. Há exceções, claro… Raras, quem sabe. Mas o que muita gente não disse, e diz, é o como as coisas podem piorar com o tempo. 

No inicio, grude o tempo todo. Dormir juntos. Sair pra comer juntos. Comprar juntos. Ver filmes juntos. Sair com os amigos juntos… E qualquer outra coisa juntos era realizado. A não ser…

Andar de mãos dadas, isso nunca foi realizado junto. Talvez tenha sido algo que tenha ficado ao alento desatendo do cotidiano. As mãos pendiam no ar feito bailarinas, sozinhas. Independente se tinham outras almas perto ou não. E foi ai que tudo começou. As mãos se sentiam tão livres e sozinhas que os dedos ganharam vidas e foram pra um baile badalado, dançando de forma desesperada no teclado virtual de aparelhos de ultima geração, como se fossem amigos íntimos para o fim do mundo.

Ali eles se sentiam tão felizes que dia após dia outros membros do corpo foram convidados para a dança. Um novo baile allblack estava começando. Braços. Pernas. Pés. Joelhos. Umbigo. Barriga. Olhos. Ouvidos. Mente. Coração. Chegou um dia que não havia mais conexão real. Tudo era via wi-fi. “O qualquer coisa juntos” simplesmente desapareceu em meio à massiva tecnologia. Tudo começou a se tornar liquido e efêmero, como diria Bauman.

Aquele Brilho Eterno de uma caixinha tecnológica cheia de lembranças virtuais e de likes começou a ser mais interessante do que um olhar cara a cara propriamente dito. Sim foi substituto por não atrás de não. Um caminho de crise se instalou. Era um caminho sinuoso, sem volta, cheio de perdição e falta de respeito dos próprios e de muitos que estavam de fora. Tudo foi substituído.

Talvez nada disso que tenha sido descrito nessa crônica cheia de metáforas seja verdade. Talvez tudo não tenha passado apenas de uma mera expectativa e a dura e verdadeira realidade.

Lineker Campos. 

Um comentário em “Crônica para um passado atual

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